quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

D. João IV e a sua Aclamação como Rei de Portugal Independente!

Real Real Real por D. João de Portugal !


Depois do bem aventurado coup d'état no 1º de Dezembro em que é, após 60 anos de subjugação espanhola, restaurada a Monarquia Portuguesa,  D. João (então Duque de Bragança) é chamado, conforme o combinado e as expectativas de D. Luísa sua esposa, à então capital dum reino à deriva mas que é preciso consolidar e defender a todo o custo!

D. João chegará na noite do dia 6












Primeiras medidas tomadas e a 15 de Dezembro, há 371 anos portanto, dá-se então a aclamação de D. João o Quarto deste nome pela Graça de Deus  Rei de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e Além-Mar em África, senhor da Guiné e da Conquista, Navegação e Comercio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc.

 
Para o Auto da Aclamação é construído, contiguo às varandas do Paço da Ribeira, um palco em madeira ricamente coberto em panejamentos luxuosos. O Rei, porem, apareceu modestamente vestido. Dizem as crónicas que " D. João trajava com uma sobriedade algo modesta tendo em conta a relevância da ocasião (...) o vestido não fora feito expressamente para o evento e que já o tinha usado um ano antes (...). O vestido de simples pano dozeno pardo era bordado de ouro com mangas de tecido branco lavrado de ramos dourados, abotoadura de pedraria e opa de brocado roçagante forrada a tela branca também trabalhada com ramos de ouro e prata. Na cabeça usava um sombreiro negro com pluma branca. Ao pescoço, ostentava um valioso colar de ouro de onde pendia o habito de Cristo (...). Na mão suportava o ceptro de ouro que ficara ao despojo do seu sétimo avô, D. João I, na Batalha de Aljubarrota; sobre a perna, repousava uma espada dourada." (in "D. João IV" de Leonor Freire Costa e Mafalda Soares da Cunha, edições Circulo de Leitores)


Mergulhando, como sempre, em pesquisa de época sobre factos e costumes, peguei então nesta preciosa descrição para construir e homenagear não só o evento mas também a figura que foi D. João IV.

Mal de mim se não o fizesse tomei algumas liberdades artísticas ainda que mantendo o espírito da moda da época e da dita descrição.

Algumas inovações técnicas também foram perpetradas! De facto D. João IV não aparece descrito como tendo usado uma couraça porem hei por bem fazê-lo em representação à dura batalha que teria de enfrentar durante os seguintes 16 anos de reinado. Aqui a inovação aqui foi de que a couraça, ao invés de ser de lata de refrigerante como outrora, é feita em cartão revestida com papel prata de cozinha que não oxida nem com a exposição à atmosfera nem com o tempo (!).

A faixa de comando azul é uma homenagem minha à serie de retratos dos Duques de Bragança que D. João V terá encomendado a Duprá em 1720s para decorar os tectos da Sala dos Tudescos no Paço de vila Viçosa (que ainda hoje lá estão!) tendo também a  Grã Cruz da Ordem de Cristo sempre presente.
Um fato portanto de cor parda (castanha) bordado a ouro cujo tecido por mim usado relembra um pouco o retrato que há D'El Rei no mesmo Paço de Vila Viçosa (onde também aparece de couraça!) com abotoaduras de pedraria ...



... e usando um sombreiro negro com uma pluma branca.

Como na descrição apenas refere que a opa (o manto) era forrada a branco mas não diz que cor era no exterior optei por usar o mesmo veludo vermelho usado na fita de onde pende a Grã Cruz da Ordem de Cristo.

Para finalizar não poderei esconder o deleite e também a minha própria admiração ao ter conseguido fazer duas peças - a espada e o ceptro real. Por mais procura que tivesse feito não aparece imagens certas de um ceptro real muito menos português antes dos que se fizeram por ordem de D. João VI no Brasil e então fui às iluminuras produzidas para as crónicas de Jean Wavrin em que há uma acerca do encontro entre D.João I e o Duque de Lencaster (também ele João ... ) em que o primeiro aparece empunhando um ceptro terminando em ... flor de lis. Porem e dadas as presentes circunstancias não me apeteceu fazer publicidades aos "francíus" e num repente, espalhados na mesa a olharem para mim, acabei por, sob uma massa disforme ainda húmida modelada sobre um palito,  colar em volta os mesmo tipo de "cristais" (de plástico está claro) que havia usado para as abotoaduras! Finalizada a peça foi só doura-la e deixar a secar... 

Para a espada o processo  foi parecido, pois no fundo trata-se de uma construção sob um palito, linha de croché dourada e tiras de cartão e por fim também pintado de dourado! 

O "segredo" no fundo, aliada a um know how em termos de conhecimento do comportamento dos materiais usados e também da estética da época pretendida. :)

Espero que tenham gostado da viagem história e artística :)

Tem uma personalidade histórica que gostaria de ter retratado? Quem sabe você mesmo! Fale comigo!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

D.Manuel I e o "Manuelino"



Foi Deus servido chamar à Santa Glória na era de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil quinhentos e vinte e um , o Augustissimo Senhor D.Manuel o Primeiro de nome, Decimo Quarto  Rei de Portugal.





Acabam assim 26 anos de reinado do homem a quem chamaram de "o Venturoso"
Neto de rei, improvável herdeiro ao trono, vê-se acolhido por D. João II (seu primo e cunhado) que o nomeia sucessor após a morte do seu próprio filho. Terá sido desde logo esta a primeira ventura!
 
Como rei optou por seguir os planos do seu antecessor no que diz respeito as empresas dos chamados descobrimentos. Seguindo alias os planos de D. João II, D. Manuel re-nomeia Vasco da Gama capitão de armada e fa-lo ir em busca das Índias em 1497; em 1500 dá-se o reconhecimento do "achamento dos Brazis" por Pedro Alvares Cabral e as grandes conquistas por nomes como Afonso de Albuquerque e D.Francisco de Almeida fomentando e impulsionando trocas comerciais com todo o mundo conhecido até à longínqua China!









Se D. João II fez de 
Portugal uma pátria universal, D.Manuel I consolidou e expandiu o estatuto!  A corte de Lisboa atinge novamente a glória dos primeiros Avis e ultrapassa-a com as riquezas das Índias. 

D.Manuel tido como o primeiro rei absolutista reuniu em si uma manha digna da também alcunha "rei de escritorio" versus "rei cavaleiro" do antigamente.










Aliada a devoção com o querer firmar cunho próprio D. Manuel cria e recria o país de então. Na capital, em Lisboa, deixa o velho Paço das Alcáçovas e manda construir um novo paço bem perto da ribeira para assim controlar melhor as alfandegas e demais expedições; cria a Casa da Índia que se tornaria a "caixa forte" das riquezas oriundas dos 4 cantos do império, etc. Na então longínqua zona de Belém manda, para espanto da corte, construir um grande mosteiro dedicado à ordem dos frades Jerónimos e a famosa e formosa torre de Belém cujo objectivo seria apenas para controlar eventuais assaltos Tejo acima. Por todo o reino ainda hoje se vem testemunhos do seu querer!  














Feliz na sua vida privada casou casado 3 vezes, não se sabendo de casos extraconjugais ou filhos ilegítimos.  
Amou apaixonadamente D. Maria sua segunda esposa com quem se deixou retratar em pedra para a posteridade nos portal que no acolhe hoje nos Jerónimos. A esta infanta castelhana deve quase toda a sua prole, mas, já quase no fim da vida, talvez refeito da  perda mas sentindo-se solitário na sua viuvez, casa uma terceira vez com a já a prometida para o seu filho Príncipe D. João (facto causador duma ruptura e magoa entre filho e pai ... ) Ainda assim, o rei já idoso e diz-se que com a ajuda dos cheiros da pimenta, produz  mais 2 filhos. 
Na corte há sempre musica e o rei convida os grandes humanistas para comerem à sua mesa! E se ficou famoso pela embaixada que enviou a Leão X, as suas próprias deslocações pela cidade e reino não eram menos pomposas!
Centralizador e empreendedor, venturoso e vitorioso, D. Manuel morre aos 52 anos de vida e está sepultado no Panteão dos Avis, por si criado, no mosteiro dos Jerónimos em Lisboa.


Mais uma efígie real :)
Baseando-me, como sempre, em iconografia da época do retratado (porem não portuguesa (sempre parca) debrucei-me com particular interesse e gozo pessoal no que se chamava, naqueles tempos, "barrete" e em uns sapatos quiçá ... extravagantes, mas fidedignos !


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domingo, 11 de dezembro de 2011

Morte do "Conquistador" a 11 de Dezembro, 1582



Noticia da morte, aos 75 anos de Fernando Álvarez de Toledo e Pimentel, 3º Duque de Alba.

Em 1580 é nomeado, por Filipe II de Espanha, comandante supremo das tropas enviadas a Portugal com o intuito de reivindicar o trono português após a morte do tio Cardeal Rei D. Henrique.


Depois de entrar em Portugal e  derrotar as forças de D. António Prior do Crato nos campos de Alcântara em Lisboa , pilha e instala-se na cidade recebendo depois o titulo de Condestável do novo reino conquistado. Morreria apenas 2 anos depois ... Castigo?



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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Notícia da morte de El Rei D.Pedro II

Retrato de D.Pedro II existente no Museu Nacional dos Coches em Lisboa

Foi Deus servido chamar à Santa Glória na era de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil setecentos e seis , o Augustissimo Senhor D.Pedro o Segundo de nome, Vigésimo Terceiro  Rei de Portugal.


Morre assim, de causa ainda por apurar, aquele a quem chamaram "O Pacifico" mas que se pôs fim à Guerra da Restauração da Independência, mergulhou, já quase no fim do reinado, na Guerra da Sucessão de Espanha ...
A propaganda mostra-nos desde logo um infante robusto de pele morena, olhos e cabelos escuros com uma força descomunal que se entretia a pegar toiros com as suas próprias mãos. Propaganda contra o tido como fraco D.Afonso VI ou não - irmão que D.Pedro acaba por destronar, aprisionar e tomar o titulo de Regente do Reino ao lado de sua cunhada com quem acaba por casar -  não será já o tempo para julgamentos. Provavelmente foi um golpe necessário para que Portugal não caísse de novo nas mãos dos Habsburgos ... Porem não deixa de ser "irónico" o facto não terá sido feliz com a mulher que "roubou"  nem muito menos a filha que ambos tiveram juntos ... A cunhada / esposa acabaria por morrer antes de ser tomado como Rei, a filha - a "Sempre Noiva" - jurada como herdeira do Reino também morreria pouco depois... D.Pedro II viu-se obrigado assim a contrair matrimonio uma segunda vez. O seu  casamento com D. Sofia de Neuburg, apesar de vasta prole, terá sido um pesadelo para ambos. D. Sofia triste e sozinha acabaría por se entregar ao alcool e diz-se que terá morrido com uma hemorragia causada pelo rasgo das orelhas devido ao peso dos brincos que usava (!!)...
Em 1693 receberia de volta a Lisboa sua irmã D. Catarina ( víuva de Charles II Stuart de Inglaterra) a quem por duas vezes faría Regente.
A partir de 1703 e apesar das campanhas militares, D.Pedro II começou a sofrer duma estranha sonolência seguidos de ataques apopléticos. Entregou a alma ao Criador faz hoje 305 anos.
Sepultado no panteão dos Braganças no Mosteiro de S.Vicente de Fora, que sua Alma seja guardada nas mãos dos Anjos, á gloria do Paraiso, onde todos sejamos. Amen


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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Morreu El-Rei, MORREU EL-REI!!!


Foi Deus servido chamar à Santa Glória no dia de hoje, era de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil cento e oitenta e cinco, o Augustissimo Senhor D.Afonso o Primeiro de nome e Primeiro Rei de Portugal.


D.Afonso Henriques falece assim a uma inimaginável idade para a época depois de uma vida de peleja fosse contra quem fosse para, numa teimosia desmedida cuja razão estará por apurar, constituir um novo reino para a Cristandade. No seu casamento com D.Mafalda de Saboia não foi feliz apesar da vasta prole...  E o grande desastre militar de Badajoz onde acaba ferido e preso terá sido o fim nas suas forças enquanto guerreiro... Assistido pelo Infante D. Sancho desde então, D.Afonso I  recebe o reconhecimento papal de Rei em 1179 e dedica-se à administração do novo reino...  Foi a enterrar na Igreja de Santa Cruz de Coimbra.
Que sua Alma seja guardada nas mãos dos Anjos, á gloria do Paraiso, onde todos sejamos. Amen


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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Adivinhe quem é!


Esta é a figura! Será que consegue adivinhar quem é?

Ok, vou-vos dar uma pista ! :)


É alguem do mundo das artes! Mas ...


... não acredite em tudo o que vê! :p

Será que adivinhou quem é?

Sim, acertou! Sou eu próprio em pleno finais do século XVII!

Se está parecido? Seja você o juiz!


Gostou? Também pode ter o seu por 100 euros mais portes de envio, masculino ou feminino, qualquer epoca histórica! Fale comigo!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Fado - Patrimonio Imaterial da Humanidade!


Amalia Rodrigues, a Diva do Fado


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O 1º de Dezembro de 1640 e a complementaridade na espécie humana

Já diz o chavão que por trás de um grande homem está sempre uma grande mulher!
Se a revolução do 1º de Dezembro, há 371 anos atrás, foi feita por homens, certamente que foi conduzida por mulheres!
Ao longo dos tempos, a mulher sempre foi vista como uma especie de propriedade para enfeitar, mostrar e procriar, porem não deixa de ser curioso reparar que muitas, mas muitas se demarcaram deste papel!

A coroa das Espanhas já se habituara a delegar poderes de chefes de estado a mulheres e é D. Filipe III de Portugal (há que assumi-lo!) ( IV de Espanha) que depois de algumas disputas torna a sua prima D. Margarida de Saboia duquesa consorte de Mantua e Montferrat vice rainha de Portugal.


 Margarida de Sabóia, Duquesa de Mântua e Montferrat (e não da Bruxa da Bela Adormecida da Disney!) Vice-Rainha de Portugal.

Também das Espanhas veio, em 1633, a noiva do então Duque de Bragança.
A D. Luísa de Gusmão é lhe atribuída varias frases heróicas mas cujo sentido pode-se pôr em causa. Seria D. Luísa uma senhora gananciosa?
A História que nos mostra sempre tanta coisa, diz-nos que não! D. Luísa durante o seu papel de Rainha e depois Regente chega ao ponto de doar as suas próprias jóias para alimentar os exércitos contra Espanha!


                           D. Luìsa de Gusmão

Outros exemplos de coragem são o de D. Filipa de Vilhena que se vê, na condição de viúva, na obrigação de ela própria armar seus filhos cavaleiros para que lutassem pelo restabelecimento da soberania portuguesa no país!


D. Filipa de Vilhena ( e não aquelas velhotas choramingonas que vão à Sic ou à TVI!)

Ao longo do reinado de D. João IV outros episódios semelhantes se seguiriam, é o caso de D. Mariana de Lencastre ...

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